
Tem gente que acha que carpaccio é receita. Eu acho que é mais uma situação.
Uma situação que envolve carne crua, pouca quantidade e muita insegurança silenciosa.
Porque ninguém quer ser a pessoa que estraga o carpaccio mas quase todo mundo já estragou pelo menos uma vez.
Aqui em casa, a gente resolveu isso de um jeito simples: carpaccio não se monta na cozinha. Se monta à mesa.
De preferência numa mesa de centro, daquelas baixas, meio improvisadas, onde ninguém finge elegância. Onde cada um monta do seu jeito, no seu tempo, errando pouco porque o erro fica pequeno no prato.
(E sim, eu sinto falta da nossa mesa de centro antiga. Ela foi embora por causa de um sofá novo. Histórias domésticas que deixam marcas.)
Mas vamos ao que interessa.
Quando a gente serve carpaccio já montado, corre o risco de decidir demais pelo outro. E carpaccio não gosta de decisões autoritárias.
Então a mesa costuma vir assim: tudo separado, tudo visível, tudo convidativo. A carne no centro. O resto esperando para ser usado ou não.
Porque parte do prazer está aí: escolher quanto.
E talvez por isso funcione tão bem na mesa de centro, entre conversa, pão partido com a mão e pratos que nunca ficam exatamente iguais.
O pão
Pão italiano. Sempre.
Ciabatta funciona também. Carpaccio pede pão que absorve, não que disputa atenção.
A rúcula
Eu amo rúcula com carpaccio. Amo mesmo.
Demorei para aprender, mas depois que entrou na mesa, nunca mais saiu.
O limão
Fatias de limão, ali, discretas.
Não sei se é certo. Sei que aprendi isso em restaurante, gostei, adotei e pronto. Uso pouco, quase nada.
O queijo
Compre um pedaço de parmesão de verdade e rale no ralo grosso, na hora. Nunca, jamais, em hipótese alguma use queijo ralado de saquinho.
Não é preciosismo. É respeito.
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| Molho de carpaccio , queijo parmesão ralado grosso, alcaparras, pimenta do reino e limão. |
como comer carpaccio
- coloque a carne no prato;
- acrescente a pimenta do reino moída na hora a gosto;
- coloque um pouco do molho para carpaccio (não exagere);
- agora é a vez do queijo parmesão ralado grosso;
- finalize com folhas de rúcula;
- se quiser, pingue umas gotinhas de limão na rúcula, não na carne;
- sirva com pão italiano.

O erro mais comum:
Achar que carpaccio precisa ser caprichado.
Não precisa.
Precisa ser respeitado. Precisa de pouco. Precisa deixar a carne continuar sendo o que ela é.
Se você termina de montar o prato e pensa 'acho que exagerei', provavelmente exagerou.




Hum...que delícia!!!
ResponderExcluirAmo lanchinhos na mesinha de centro. Agora tenho feito aqui na bancada do quarto, também é bem legal e meio que "romântico".
Grande beijo
opa.. o limão tem uma característica do "cozimento frio, sem chama"... por conta de sua acidez. talvez por isso tenhas adotado o uso, mesmo que pingando somente na rúcula.
ResponderExcluirNão, não foi por isso não... Eu gosto de acidez. Em qualquer oportunidade lá estou eu colocando ácidos na comida! Hehehe
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