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Senta, que lá vem história!
E, se você quer fazer um BOM bitterballen, vale a pena ler a minha experiência!
Existem duas maneiras de fazer bitterballen.
A primeira é estudar a culinária holandesa, pesquisar receitas tradicionais, entender a função do roux e respeitar séculos de tradição gastronômica.
A segunda é comprar 1,718 kg de paleta bovina e descobrir o resto no caminho.
Naturalmente, escolheria a primeira opção, mas contrariando toda a minha personalidade, optei pela segunda opção...
Antes de continuar, preciso fazer justiça ao bitterballen. A receita não é difícil!!!
Em nenhum momento eu precisei dominar técnicas avançadas da culinária holandesa ou invocar conhecimentos secretos transmitidos por gerações. O problema é outro: ela é trabalhosa. Muito trabalhosa. É o tipo de receita que olha para uma tarefa simples e pergunta: "e se adicionássemos mais três etapas?"
Quando a receita manda cozinhar a carne e preparar um ragout, ela não menciona que você passará as próximas horas questionando todas as suas escolhas de vida.
O grande teste psicológico começa no ragout. Ele começou como um roux. Depois virou um creme. Depois virou uma substância que provavelmente exige licença ambiental e autorização do Ibama para descarte.
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| Eu esqueci de tirar fotos e tive que catar o que postei no Instagram. |
Mas segui firme na missão e transferi o ragout para uma travessa. Eu arremessei porções sucessivas de concreto culinário. Cada colherada caía com um "ploc" seco e permanecia exatamente onde aterrissava.
Em algum momento, já depois do ragout pronto, encontrei o vídeo de uma moça fazendo bitterballen na internet. O recheio dela tinha exatamente a mesma aparência assustadora do meu. Isso deveria ter me tranquilizado, mas notei que ela usava gelatina. Eu não. Foi nesse exato momento que passei a suspeitar que a gelatina esteja ali para garantir que as bolotas não vão desmoronar.
Acontece que a história termina bem. Eu estava apenas seguindo o roteiro e, por acaso, cheguei ao mesmo resultado da moça do vídeo, mesmo sem a gelatina.
O segredo do bitterballen é não entrar em desespero! Paciência e geladeira são fundamentais aqui!
No dia seguinte, o colágeno da paleta bovina fez a mágica dele e aquela massa de cimento armado deu liga para enrolar direitinho, sem drama.
Fiz as bolinhas, empanei, fritei e, milagrosamente, o concreto virou o petisco holandês mais crocante e cremoso que já saiu dessa cozinha. Chupa, engenharia civil!
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| as outras bolinhas são takoyaki |
bitterballen
(tempo: 1 hora de pressão, uma noite de geladeira, 20 minutos de fritura e some da travessa em 5 minutos; rende: uma montanha de bolinhos; nível: exige a paciência de um monge, mas o resultado é de aplaudir de pé)
Ingredientes:
Para a carne:
- 1 peça de paleta bovina (1,5kg aproximadamente);
- 1 cebola grande picada grosseiramente;
- 1 cenoura grande picada grosseiramente;
- 5 dentes de alho picados;
- sal e pimenta do reino a gosto;
- o quanto baste de óleo;
- o quanto baste de água.
Para o ragout:
- 6 colheres de sopa de manteiga (80g);
- 7 colheres de sopa de farinha de trigo;
- 900g da carne que você cozinhou beeeem desfiada e picadinha;*
- aproximadamente 500ml do caldo do cozimento da carne;
- noz moscada a gosto;
- tomilho fresco a gosto;
- sal e pimenta para acertar.
* o 1,5kg que você comprou no mercado, deve pesar algo próximo disso depois de cozida. Mas é bom pesar em casa se possível.
Para empanar (empanamento duplo):
- farinha de trigo;
- ovos;
- farinha de rosca;
- óleo para fritar em imersão.
Como fazer:
- tempere a carne com sal e pimenta;
- leve uma panela de pressão ao fogo médio/alto com o quanto baste de óleo para selar a carne e deixe aquecer um pouco;
- coloque a carne e sele de todos os lados;
- acrescente a cenoura, a cebola, o alho, deixe dourar um pouquinho só;
- cubra com água, feche a panela, deixe pegar pressão, abaixe o fogo para o mínimo e conte 60 minutos depois que pegar pressão.
- depois desse tempo, deligue o fogo e deixe a pressão sair naturalmente.
- retire a carne da panela, espere esfriar e desfie;
- depois de desfiada, coloque em uma tábua e pique grosseiramente;
- coe o caldo que ficou na panela e resserve.
- em uma panela larga, coloque a manteiga e a farinha e leve ao fogo médio mexendo sempre por uns 3 minutinhos. Isso se chama roux;
- vá despejando o caldo reservado aos poucos, mexendo vigorosamente com um batedor de arame (fouet) para não empelotar. Se empelotar no começo, ignore, continue mexendo, vai ficar liso.
- vamos usar entre 500ml e 600ml desse caldo;
- quando tiver um creme liso e bem espesso, adicione a carne desfiada.
- tempere com sal, pimenta-do-reino, tomilho e noz-moscada e cozinhe por mais um minuto, mexendo sempre, até que a massa comece a soltar do fundo da panela.
- teste da colher : passe a colher no fundo da panela, se abrir um caminho que permanece visível por alguns segundos, ótimo; se fechar imediatamente, ainda está mole, cozinhe mais um pouco;
- transfira esse ragu para um refratário, cubra com plástico-filme em contato (para não criar película) e leve à geladeira de um dia para o outro. A massa precisa estar completamente firme e gelada para conseguir moldar.
- com a massa bem gelada, pegue pequenas porções (tamanho de um bolinho de bacalhau) e boleie com as mãos.
- passe a bolinha na farinha de trigo (retire o excesso), depois no ovo batido e, por fim, na farinha de rosca.
- para garantir que o recheio cremoso não vaze na fritura, passe a bolinha novamente no ovo e mais uma vez na farinha de rosca (empanamento duplo).
- frite em imersão: aqueça o óleo a 180°C. e frite as bitterballen em lotes pequenos para não esfriar o óleo. Elas fritam rápido, cerca de 3 a 4 minutos, até ficarem bem douradas.
- retire com uma escumadeira e escorra em papel toalha.
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Acompanhamentos do bitterballen:
- uma espátula de pedreiro: brincadeira!
- mostarda escura ou de Dijon: O par tradicional e absolutamente obrigatório.
- veja nossa página de aperitivos para completar e mesa de petiscos.
Sugestão de vinho para harmonizar: Pinot Noir ou um espumante Brut.
Dica de cervejinha que desce redondo com essa receita: Uma boa pilsen bem gelada ou uma Belgian Strong Golden Ale.
Se você fizer essa bolotinha crocante na sua cozinha, me conta aqui nos comentários como foi a experiência.
E, por favor, me diz: qual vai ser a cerveja escolhida para acompanhar essa maravilha?



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Agora me conta: você seguiu a receita ou adaptou alguma coisa?